sábado, 6 de fevereiro de 2010

Porque os Estados Unidos querem derrotar o PT nas eleições de outubro

O jogo dos Estados Unidos na América Latina

Inteferência dos Estados Unidos no Haiti e em Honduras são apenas os exemplos mais recentes das manipulações de longo prazo na América Latina

por Mark Weisbrot*, no
jornal britânico Guardian

Quando eu escrevo sobre a política externa dos Estados Unidos em lugares como o Haiti ou Honduras, geralmente recebo respostas de pessoas que acham difícil acreditar que os Estados Unidos se preocupam suficientemente com esses países para tentar controlar ou derrubar seus governos. Estes são países pequenos, pobres, com poucos mercados ou recursos. Por que os formuladores de política de Washington deveriam se preocupar com quem os governa?
Infelizmente, eles se preocupam. Eles se preocuparam suficientemente com o Haiti para derrubar o presidente eleito Jean-Bertrand Aristide não apenas uma vez, mas duas. Da primeira vez, em 1991, foi feito de forma encoberta. Só descobrimos depois que as pessoas que lideraram o golpe foram pagas pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos. E então o Emmanuel Constant, o líder do mais notório esquadrão da morte -- que matou milhares de apoiadores de Aristide depois do golpe -- disse à rede CBS que ele, também, foi financiado pela CIA.

Em 2004, o envolvimento dos Estados Unidos no golpe foi muito mais aberto. Washington liderou um boicote de quase toda ajuda econômica internacional ao Haiti por quatro anos, tornando o colapso do governo inevitável. Como o New York Times informou, enquanto o Departamento de Estado dos Estados Unidos dizia a Aristide que ele deveria fazer um acordo com a oposição política (financiada por milhões de dólares de dinheiro do contribuinte americano), o Instituto Republicano Internacional [Nota do Viomundo: braço de política externa do Partido Republicano] dizia à oposição que não deveria fazer acordo.

Em Honduras no último verão e outono, o governo dos Estados Unidos fez tudo o que pôde para evitar que o resto do hemisfério fizesse uma política eficaz de oposição ao golpe em Honduras. Por exemplo, bloqueou uma decisão da Organização dos Estados Americanos de que não reconheceria as eleições que fossem realizadas sob a ditadura. Ao mesmo tempo, o governo Obama se dizia publicamente contrária ao golpe.

Isso foi apenas parcialmente bem sucedido, do ponto-de-vista das relações públicas. A maioria do público dos Estados Unidos acha que o governo Obama foi contra o golpe em Honduras, embora em novembro do ano passado foram publicadas várias reportagens e editoriais críticos dizendo que Obama tinha cedido à pressão dos republicanos e não tinha feito o suficiente. Mas isso era uma leitura equivocada do que aconteceu: a pressão republicana de apoio ao golpe hondurenho mudou a estratégia de relações públicas do governo Obama, não sua estratégia política. Quem acompanhou os eventos de perto desde o início pode ver que a estratégia política era bloquear e adiar quaisquer tentativas de restaurar o presidente eleito [Manuel Zelaya], enquanto se pretendia que o retorno à democracia era o verdadeiro objetivo.

Entre os que entenderam isso estavam os governos da América Latina, inclusive os peso-pesados como o Brasil. Isso é importante porque demonstra que o Departamento de Estado estava disposto a pagar um preço político significativo para ajudar a direita em Honduras. Isso convenceu a grande maioria dos governos da América Latina de que [o governo Obama] não era diferente do governo Bush em seus objetivos no hemisfério, o que não é um resultado prazeiroso do ponto-de-vista diplomático.

Por que se preocupar com a forma com que esses países pobres são governados? Como qualquer bom jogador de xadrez sabe, os peões contam. A perda de alguns peões no começo de um jogo pode fazer a diferença entre quem vence e quem perde. Eles olham para esses países como uma questão de poder bruto. De governos que concordam com a maximização do poder dos Estados Unidos no mundo, eles gostam. Daqueles que tem outros objetivos -- não necessariamente antagônicos aos Estados Unidos -- eles não gostam.

Não é surpreendente que os aliados mais próximos do governo Obama no hemisfério são os governos direitistas da Colômbia ou Panamá, embora Obama não seja ele próprio um político de direita. Isso demonstra a continuidade da política de controle. A vitória da direita no Chile, a primeira vez que venceu uma eleição em meio século, foi uma vitória significativa para os Estados Unidos.
Se o Partido dos Trabalhadores de Lula perder a eleição presidencial no Brasil no outono, isso seria outra vitória para o Departamento de Estado. Embora autoridades do Departamento de Estado sob Bush e Obama tenham mantido uma postura amigável em relação ao Brasil, é óbvio que eles se ressentem profundamente das mudanças na política externa brasileira que aliaram o Brasil a outros governos social-democratas do hemisfério e se ressentem da posição independente do Brasil em relação ao Oriente Médio, ao Irã e a outros lugares.

Os Estados Unidos intervieram na política brasileira tão recentemente quanto em 2005, organizando uma conferência para promover mudanças legais que tornariam mais difícil para legisladores mudar de partido. Isso teria fortalecido a oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT) do governo Lula, já que o PT tem disciplina partidária mas muitos políticos da oposição, não. Essa intervenção do governo dos Estados Unidos só foi descoberta no ano passado através de um pedido de informações sob o Freedom of Information Act [Nota do Viomundo: Lei americana que permite obter, na Justiça, informações sigilosas do governo] apresentado em Washington. Há muitas outros intervenções por todo o hemisfério das quais não sabemos. Os Estados Unidos tem estado pesadamente envolvidos na política do Chile desde os anos 60, muito antes de organizar a derrubada da democracia chilena em 1973.

Em outubro de 1970, o presidente Richard Nixon andou gritando no Salão Oval, sobre o presidente social democrata do Chile, Salvador Allende: "Aquele filho da puta!", disse Richard Nixon no dia 15 de outubro. "Aquele filho da puta do Allende -- vamos esmagá-lo". Algumas semanas depois ele explicou:

A maior preocupação no Chile é que [Allende] consolide seu poder e a imagem projetada para o mundo será de seu sucesso... Se deixarmos líderes em potencial da América do Sul pensarem que podem se mover como o Chile, teremos dificuldades.

Este é outro motivo pelo qual peões contam e o pesadelo de Nixon se tornou verdadeiro 25 anos depois, quando um país depois do outro elegeu governos de esquerda independentes que Washington não queria. Os Estados Unidos acabaram "perdendo" a maior parte da região. Mas estão tentando ganhar de volta, um país por vez. Os menores e mais pobres e mais próximos dos Estados Unidos são os que mais correm risco. Honduras e o Haiti terão eleições democráticas um dia, mas apenas quando a influência de Washington sobre a política deles for reduzida.
* Mark Weisbrot é co-diretor do Centro de Pesquisa Política e Econômica de Washington

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Deputados recorrem à Procuradoria contra redução de verba de enchentes

O líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa, deputado Rui Falcão, entrou com representação na Procuradoria Geral de Justiça para que sejam apuradas suspeitas de ilegalidade, inconstitucionalidade e improbidade na gestão do governador José Serra, que reduziu recursos para a prevenção e o combate às enchentes.

Depois de 40 dias de chuvas, São Paulo já contabiliza aproximadamente 70 mortos, em decorrência de desabamentos, desmoronamentos e afogamentos.
“Não se trata de obra ou castigo de Deus, de efeitos do aquecimento global ou de resultado de inversões climáticas. Trata-se de má gestão e de omissão criminosa praticadas pelo governador José Serra que, de forma deliberada, tem diminuído os recursos para a prevenção e o combate a enchentes; recursos tais que, remanejados, têm sido destinados à publicidade de seu governo visando à eleição de 2010 para a Presidência da República, na qual é potencial candidato”, denuncia o deputado Rui Falcão na representação encaminhada ao Procurador-Geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, no último dia 26.

De acordo com dados do Orçamento do Estado, em 2010 houve redução de 20% nas ações de combate às enchentes: em 2009, foram previstos R$ 252 milhões. Já em 2010, foram estimados R$ 200 milhões, ou seja, R$ 51,5 milhões a menos.

“Os números revelam que será cortado quase o dobro do valor dos atuais contratos para desassoreamento da calha do Rio Tietê, que somam R$ 27,2 milhões – se com os valores atuais o resultado é o visto, imagine-se com um corte que é o dobro dos valores atuais”, avalia documento elaborado pela Bancada do PT.

O orçamento do Estado também prevê menos investimentos em serviços e obras complementares da Bacia do Alto Tietê. O corte proposto para 2010 é de 61%.
No Departamento de Água e Energia Elétrica, órgão do Estado responsável pelas obras da calha do Tietê, foi previsto um corte de R$ 20,3 milhões. Essa redução se dá especialmente nas despesas correntes, onde estão as ações de desassoreamento da calha, que atingiram o valor de R$ 30,8 milhões e o impacto de R$ 42 milhões a menos nos investimentos.

A Procuradoria recebeu anexas à representação tabelas comparativas com dados dos gastos com infra-estrutura de saneamento e combate às enchentes com publicidade. Os dados extraídos do Sigeo - Sistema de Gerenciamento de Execução Orçamentária - revelam que, entre os anos de 2006 e 2009, o governador deixou de contratar o desassoreamento e de destinar recursos adequados para o combate a enchentes.

“Havia uma previsibilidade e então temos uma omissão culposa, além da má gestão e da improbidade face à imoralidade do desvio de finalidade que a alocação dos recursos representa.”
(Da Liderança do PT na Alesp)

 
Em 2009, Kassab dobrou verba de publicidade e gastou R$ 103 milhões
Entre 2008 e 2009, a gestão Kassab dobrou o gasto com publicidade. No ano passado a propaganda da administração consumiu R$ 103 milhões, contra R$ 52 milhões no ano anterior, conforme matéria publicada na edição de ontem do Jornal da Tarde. Detalhe: o orçamento de 2009 previa apenas R$ 31 milhões para cobrir esta despesa. A gestão PSDB/DEM investe pouco em obras para melhorar a vida da população, mas não poupa recursos públicos para fazer autopromoção. Para 2010, Kassab reservou R$ 126 milhões para usar em propaganda. Leia a matéria do JT.

Kassab: R$ 103 mi em publicidade

Os gastos em publicidade da gestão Gilberto Kassab (DEM) chegaram a R$ 103,4 milhões em 2009, ano em que o prefeito congelou recursos alegando impacto da crise financeira na arrecadação. O valor é quase o dobro dos R$ 52 milhões de 2008 e consta de relatórios semestrais da Secretaria Municipal de Comunicação.

Só três empresas municipais – Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), São Paulo Turismo (SPTuris) e São Paulo Transportes (SPTrans) – bancaram R$ 20 milhões das ações de marketing, valor que será superado este ano. Isso porque só a SPTuris fechou em janeiro dois contratos, de R$ 15 milhões cada, com a Lew Lara/TBWA Publicidade e Propeg Comunicação, por seis meses.

Para este ano, Kassab prevê gastar R$ 126 milhões em propaganda apenas na administração direta (secretarias), 52,5% a mais que os R$ 82,6 milhões em 2009. Nesta conta, contudo, não entram despesas de autarquias e empresas municipais no setor, como os R$ 30 milhões contratados pela SPTuris para promover o turismo da capital pelo País e no exterior.

A elevação dos gastos com propaganda pode gerar efeito em 2012, ano de eleição municipal, pois a legislação eleitoral limita o gasto com publicidade no ano da disputa ao total utilizado no ano anterior (no caso, 2011) ou à média dos três primeiros anos de governo (2009/2011).

Posse de pets ‘supera’ dengue

O gasto em propaganda em 2009 bancou 29 campanhas veiculadas em rádio, TV, jornais, revistas e internet, indica balanço da Comunicação. A peça mais cara foi a que abordava a posse responsável de animais (R$ 6,9 milhões), levada ao ar entre 2 e 31 de julho, seguida da mobilização de pais na educação (R$ 6,7 milhões) e da campanha de prevenção contra a dengue (R$ 6,6 milhões), veiculada entre 19 de janeiro a 31 de abril.

Já as ações de prevenção e combate às enchentes, problema crônico na capital, tiveram o quarto gasto em campanha publicitária (R$ 6 milhões), com circulação entre 19 de janeiro e 28 de fevereiro.
A Prefeitura também gastou R$ 4,1 milhões para divulgar as AMAs (Unidades de Assistência Médica Ambulatorial) Especialidades e R$ 2,3 milhões para promover a Virada Esportiva em setembro.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Chuva em São Paulo

A mídia tem falado (e muita gente reproduzindo) que tem chovido em São Paulo durante os últimos 34 dias. O blog do FBI (Festival de Besteiras da Imprensa) foi conferir no site da Sabesp e descobriu que o número das medições desmente o que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) vem mentirosamente alardeando. Veja abaixo. http://festivaldebesteirasnaimprensa.wordpress.com/

(...)
Como sou chato, fui conferir os dados pluviométricos de São Paulo, no site da Sabesp, em que são mostrados os dados sobre chuvas dos sistemas de abastecimento do estado, que são: Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Alto Cotia, Rio Grande e Rio Claro.
Não deu outra, é mentira que chove há 34 dias seguidos, com intensidade suficiente para causar danos.
Sempre lembrando que para a hidrologia (escoamento da água) o que interessa é a intensidade da chuva (volume na unidade de tempo) e não o volume, que interessa basicamente para a mecânica dos solos (deslizamentos de terra).
A seguir, apresento a relação dos dias em que não choveu (abaixo de 1,0 mm) ou choveu muito pouco (abaixo de 10,0 mm), entre 23 de dezembro de 2009 e 25 de janeiro de 2010:
23/12/09: menos de  7,5 mm nos seis sistemas
24/12/09: menos de 1,7 mm nos seis sistemas
25/12/09: 10,3 mm no Sistema Alto Tietê e menos de 9,4 mm nos outros cinco sistemas
27/12/09: menos de 4,2 mm nos seis sistemas
30/12/09: menos de 6,1 mm nos seis Sistemas
31/12/09: choveu entre 15,6 e 20,0 mm nos Sistemas Guarapiranga, Algo Cotia e Rio Grande e menos de 0,4 mm nos outros três sistemas
01/01/10: choveu 115,5 mm no Sistema Rio Claro, 18,5 mm no Rio Grande, 14,4 mm no Alto Tietê e menos de 7,6 mm nos outros três sistemas
03/01/10: choveu 18,0 mm no Sistema Rio Claro, 14,0 no Rio Grande, 11,2 mm no Guarapiranga e menos de 4,6 nos outros três sistemas
04/01/10: menos de 0,2 mm nos seis Sistemas
05/01/10: choveu 28,8 mm no Sistema Guarapiranga, e menos de 6,1 mm nos outros cinco sistemas
07/01/10: choveu 28,6 mm no Sistema Alto Cotia, 12,3 mm no Cantareira, 11,5 mm no Rio Grande e menos de 4,4 mm nos outros três sistemas
08/01/10: choveu 42,6 mm no Sistema Alto Cotia, 22,7 mm no Cantareira, 16,5 mm no Alto Tietê e menos de 7,0 mm nos outros três sistemas
09/01/10: choveu 84,2 mm no Sistema Alto Cotia e menos de 10,6 mm nos outros cinco sistemas
10/01/10: choveu entre 10,0 e 18,7 mm nos Sistemas Alto Tietê, Rio Grande e Rio Claro e menos de 7,0 mm nos outros três sistemas
11/01/10: menos de 6,2 mm nos outros cinco sistemas
13/01/10: choveu 17,5 mm no Sistema Rio Grande e menos de 3,2 mm nos outros cinco sistemas
14/01/10: menos de 1,0 mm nos seis Sistemas
15/01/10: choveu 14,8 mm no Sistema Alto Cotia, 14,0 mm no Guarapiranga e menos de 8,0 mm nos outros quatro sistemas
16/01/10: menos de 3,0 mm nos seis sistemas
18/01/10: choveu 23,0 no Sistema Rio Grande e menos de 7,2 mm nos outros cinco sistemas
23/01/10: menos de 2,2 mm nos seis Sistemas
***
Como se constata, não é verdade que chove há 34 dias seguidos. Mais da metade dessa quantidade choveu pouco, muito pouco ou nada.
A intenção das Organizações Serra é passar a idéia de que a chuva ininterrupta e intensa é a responsável pelos alagamentos na capital e na Região Metropolitana.
Como não é verdade que chove 34 dias seguidos, com intensidade, mais se fundamenta que os seguidos alagamentos são resultados do abandono das obras e principalmente da manutenção rotineira da rede de macro e de micro-drenagem. Do Kassab e do Serra!
As Organizações Serra estão desesperadas para blindar o Serra e sua desastrada gestão. Para isso, anotem, vai começar a “queimar” o Kassab.

Por e-mail do site do Sind. dos Bancários - Secretaria Geral





José Serra (PSDB) boicota Bolsa- Família em São Paulo

Caso, o candidato a presidência, José Serra (PSDB) seja eleito, não vai acabar só com o PAC. Vai acabar também com o Bolsa Família. Com a divulgação de pesquisa que dá Serra sempre a frente da ministra Dilma, o governador tucano José Serra, já dá como certo sua vitória, e já começou desmontar o programa social em São Paulo. A capital paulista está deixando de atender atualmente 155 mil famílias no programa Bolsa-Família porque o governador não abriu inscrição no Cadastro Único. Anteontem, o Ministério do Desenvolvimento Social liberou R$ 4 milhões para que a capital paulista, a mais rica do País, termine o cadastramento e possa aumentar seu atendimento. Hoje, a cidade tem o pior nível de atendimento do Brasil.Ou seja, José Serra visa a presidência, não pensa no povo, deixa as pessoas carentes de lado

A capital nunca chegou perto dos 100% de cadastramento das famílias que poderiam ser incluídas - aquelas com renda familiar inferior a R$ 140. No início de 2009, conseguiu alcançar 71,6%.

"Repassamos esses recursos para que São Paulo possa fazer imediatamente o cadastramento de pelo menos 134 mil famílias que faltam ser atendidas", explicou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. "São Paulo tem problemas próprios por ser a maior cidade do País e procuramos ajudar na forma de uma parceria."

Do blog " Os amigos do Pres. LULA"

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Kassab retém verba de área de risco

Congelamento de R$ 25,6 milhões da receita de subprefeituras para obras e serviços nesse locais foi na quinta-feira

No dia em que quatro pessoas morreram soterradas na capital por desabamentos provocados pela chuva, na quinta-feira (21), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) congelou R$ 25,6 milhões destinados a obras e serviços em áreas de risco. O valor representa 86,5% dos R$ 29,6 milhões disponíveis para essas ações no orçamento das 31 subprefeituras e da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras.

O corte, que faz parte do contingenciamento de R$ 2 bilhões do Orçamento, surpreendeu ao menos dois subprefeitos que disseram não terem sido informados da medida. "É de chorar. Acabei de levantar obras de emergência necessárias na região em função das chuvas e disse à população que começaríamos a agir. Descubro que não há um centavo liberado", disse um deles, que pediu anonimato.

A decisão irritou vereadores da base aliada de Kassab. "Resolver centralizar as obras em meio ao caos das chuvas é dar um tiro no pé politicamente", afirmou um kassabista.

A Prefeitura alega que apenas os recursos das subprefeituras - R$ 19,6 milhões - foram congelados porque serão remanejados nos próximos dias para os orçamentos de outras secretarias. Segundo a Assessoria de Imprensa de Kassab, os R$ 9,98 milhões previstos para obras em áreas de risco na Coordenação das Subprefeituras estão disponíveis, apesar de R$ 5,9 milhões aparecerem congelados, segundo levantamento da Liderança do PT na Câmara.

CORTE E TRAGÉDIA

O congelamento de verba para ações em áreas de risco foi precedido em poucas horas por quatro mortes na capital. Na madrugada da quinta-feira, um homem, a mulher e a filha de 9 anos ficaram soterrados após o desabamento do sobrado em uma área de risco onde moravam no Grajaú, zona sul.

Responsável pelo bairro, a Subprefeitura da Capela do Socorro teve todos os R$ 2,57 milhões orçados em ações emergenciais congelados.

Os corpos só foram encontrados às 15 horas, quando o contingenciamento já havia sido anunciado. A garota morreu mais tarde no pronto-socorro. Na sexta-feira, mesmo sem saber ainda do corte, os moradores vaiaram o prefeito quando ele visitou o local. "As áreas de maior risco foram priorizadas e esta vai começar a receber investimentos", dissera Kassab.

A outra morte ocorreu na Pompeia, zona oeste, na região da Subprefeitura da Lapa, que teve a dotação simbólica de R$ 1 mil contingenciada. O aposentado Roberto de Fazzio, de 75 anos, estava sozinho às 2 horas quando sua casa desabou. O imóvel, na base de uma ladeira, não suportou a enxurrada.

GOVERNO FEDERAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem Medida Provisória que libera R$ 614 milhões para ações preventivas contra chuvas no Sul e no Sudeste e a seca no Nordeste. Segundo informações divulgadas pela Presidência da República, a MP será publicada na edição de amanhã do Diário Oficial. 
 
 
Do Estadão de hoje - Fabio Leite, Plínio Teodoro e Roberto Fonseca

sábado, 23 de janeiro de 2010

A "bala de prata" da mídia





 
A expressão “bala de prata” foi criada para identificar, por metáfora, as denúncias de última hora que a imprensa costuma fazer contra políticos dos quais não gosta às vésperas de eleições, os quais, geralmente, costumam pertencer ao PT, com destaque para Lula. É uma expressão que será registrada nos livros de história.
Essa prática remonta a cerca de vinte anos. Desde então, dificilmente não é usada em qualquer eleição que interesse mais ao controle que a direita exercia e perdeu sobre o país há mais de sete anos. E, por fadiga de material, na eleição presidencial de 2010 essa arma dos conservadores está prejudicada. As razões e as evidências disso são o que este post pretende explicar.
Todos estão vendo, entre desconfiados e perplexos, que a mídia (tevês, rádios, jornais e portais de internet – as revistas da grande mídia ainda relutam em aderir à prática), a partir de meados de 2009, começou a dar notícias desfavoráveis aos tucanos e pefelistas*.
Até o Jornal Nacional passou a dar algumas dessas notícias. Sobretudo depois do desmoronamento do PFL (dito DEM, contra o qual a mídia aceitou usar a expressão “mensalão do DEM”, quando, para o PSDB, era “mensalão mineiro”).
Mas se você, leitor, pegar a Folha de São Paulo deste sábado, por exemplo, cairá de costas. Há vários textos criticando não só Kassab, mas também Serra (!?). A novidade, que raríssimas vezes ocorreu na última década, é a de que, agora, os colunistas do jornal também o criticam
A explicação para tal mudança de atitude está num processo que começa a acontecer de forma mais visível e que a mídia tentou impedir que prosperasse, mas que, ao que parece, não conseguiu.
Dois são os fatores que provocaram esse surto de “isenção” midiática. Um deles foi a sorte – ou o azar, dependendo do ponto de vista. E o outro foi a revolução da internet, que permitiu que discursos políticos e denúncias que sempre foram sufocados pela mídia tivessem como se espalhar.
O azar foi de Serra e de Kassab. As chuvas trouxeram as provas de suas incompetências e mentalidades atrasadas tanto política quanto administrativamente, com seus slogans ultrapassados e obras faraônicas e ineficientes, no melhor estilo malufista, sempre tentando enganar a população confiando no apoio da mídia decorrente de serem de direita.
Ser de direita, há que ressaltar, foi o que levou essa mídia a cometer loucuras como a de o Estadão ajudar a fazer de São Paulo o que ela é hoje apoiando Maluf contra Luiza Erundina nos anos 1990, em eleição para prefeito da cidade.
A mídia ainda resistia a dar a “isenção” que o público exige mesmo com sucessivas pesquisas de opinião, feitas nos últimos sete anos, mostrando que, quanto mais os Marinho, os Frias, os Civita, os Mesquita e seus seguidores batiam em Lula, mais ele ganhava popularidade.
O recado eleitoral da população dado na eleição presidencial de 2006, quando esta população reelegeu Lula depois de a mídia chamá-lo de bandido por dois anos, foi ignorado. E continuou sendo ignorado quando os mais escolarizados passaram a apoiar Lula em maioria mesmo com a mídia batendo nele sem parar.
Durante 2009, mesmo com a pré-candidatura Dilma Rousseff crescendo e se consolidando paulatinamente, Globos, Folhas, Vejas, Estadões  e subordinados continuaram usando todo tipo de golpe sujo contra a ministra e contra o presidente Lula, seu “padrinho político” – falsificaram ficha policial contra ela e acusaram o presidente de maníaco sexual, entre outros.
Pela primeira vez, portanto, ocorre uma inflexão nesse quadro. Notícia veiculada no fim da última quinta-feira de que o instituto Vox Populi detectou queda vertiginosa da intenção de voto em Serra no Rio e, talvez, informações privilegiadas sobre a pesquisa nacional fizeram com que a mídia, nos últimos dias, ficasse cada vez mais “isenta”.
O problema dessa mídia é que ela aposta sempre na burrice. Não quer aceitar a premissa de que a população está conseguindo enxergar o que ela faz. Acha que se atirar contra os dois lados por algum tempo, conseguirá forjar a “bala de prata” com que pretende fulminar Dilma pouco antes da eleição presidencial deste ano.

*Como vocês sabem, para mim pefelista sempre será pefelista, pois “democratas” eles nunca foram e jamais serão.


 Escrito por Eduardo Guimarães

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Centrais decidem se unir contra Serra

Até a união das Centrais Sindicais em torno de si LULA conseguiu!

  
Os líderes das seis maiores centrais sindicais do país, reunidos ontem na sede nacional da CUT, decidiram realizar em São Paulo uma Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em 1º de junho, com o objetivo de integrar o movimento sindical às candidaturas “das forças democráticas e populares” às eleições de outubro. A ideia é fazer oposição organizada ao candidato do PSDB e do DEM, José Serra. Segundo as centrais, os sindicatos são independentes, mas têm “lado”: a defesa de um projeto de desenvolvimento que valorize o trabalho e a distribuição de renda.
   De acordo com o presidente da CUT, Artur Henrique, “a Conferência será o momento de apontarmos coletivamente um conjunto de diretrizes, com a visão da classe trabalhadora que as centrais vão debater em todos os estados”. Uma vez aprovada, explicou, a pauta “será um instrumento de mobilização e ação sindical” que contribuirá no processo eleitoral.
   “A direita nunca abriu espaços para os trabalhadores incidirem. Pelo contrário, sabemos o que representa: privatização, desmonte do Estado, arrocho salarial, precarização das relações de trabalho e desemprego”, sublinhou o líder da CUT.
    Artur Henrique destacou que, em ano eleitoral, cresce a responsabilidade das lideranças para somar experiência e consciência e potencializar o protagonismo do sindicalismo ampliando a pressão sobre o Congresso Nacional, o empresariado e governos, pela aprovação de projetos que contemplem avanços sociais, como o da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário.
   “Nossa orientação para as categorias que estão em campanha salarial, como os metalúrgicos, químicos e comerciários, é que joguem peso nas mobilizações e nas greves, tendo em vista que todos os setores estão falando em crescimento econômico em 2010. Este é um fator positivo e um momento excelente para avançar na redução da jornada”, declarou o presidente da CUT.
   Artur também recordou que a pauta da Marcha da Classe Trabalhadora de 2009 é mais do que atual, particularmente a defesa das convenções da Organização Internacional do Trabalho que tratam do direito à negociação coletiva no serviço público e do fim da demissão imotivada. Além disso, acrescentou, “temos a questão da mudança dos Índices de Propriedade da Terra, a Proposta de Emenda Constitucional sobre o Trabalho Escravo, a aceleração da reforma agrária, o Pré-Sal e o nosso projeto unificado de combate à terceirização que precariza as relações de trabalho”.
VIGÍLIA NO CONGRESSO
     Outra decisão dos dirigentes da CUT, Força Sindical, CGTB, CTB, NCST e UGT é realizar uma vigília no Congresso Nacional, no reinício das atividades legislativas, para pressionar os parlamentares a votar a proposta de redução da jornada de trabalho semanal para 40 horas. 
   O presidente da Força Sindical e deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) disse que a ação coordenada das centrais deverá minar as resistências dos setores mais retrógrados do parlamento, porque demonstra um respaldo inconteste da classe à iniciativa.
   O secretário geral da Força, João Carlos Gonçalves (Juruna) ressaltou também a luta pela qualidade do emprego e contra a alta rotatividade.
    “Precisamos barrar as demissões imotivadas”, afirmou.
   O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, avaliou que a somatória de iniciativas unitárias, que serão desenvolvidas em 2 de fevereiro, 8 de março e 1º de Maio, apontam para uma grande Conferência, “onde vamos dizer qual a candidatura que tem condições de implantar este projeto de nação focado na valorização do trabalho e na distribuição de renda”.
   De acordo com o secretário geral da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Carlos Alberto Pereira, “o 1º de junho será histórico, com o conjunto das centrais aprofundando a sua unidade nos estados. Ao elevarmos o protagonismo e a unidade das centrais, vamos ampliar as vitórias da classe trabalhadora, que apontam para o fortalecimento do nosso mercado interno, para a defesa do pré-sal e o fim dos leilões do petróleo, com maiores investimentos na industrialização do país”.